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Rito de Origem

  Numa densa chuva, que cai sobre o céu monocromático de Mainly Heavens, duas pessoas chegam ao destino das almas, onde sequer um dos dois pode decidir algo, mas nem sempre o final é constituído por luta e sim por pensamentos.

  Um homem de terno, bem vestido com uma arma apontada para cabe?a de um outro homem, esse estava com roupas sujas e sua situa??o parecia ser crítica.

  — Por que n?o se sente mal com tudo isso!? — Diz o homem de terno, com os lábios tremendo e os olhos piscando.

  O outro rapaz suspira...

  — Por que tanto em Mainly Heavens, tanto em qualquer lugar deste mundo, a vida é apenas a vida, e nada mais...

  Capítulo 1- Rito de Origem

  Numa noite serena, o céu olhava para baixo com olhos de melancolia. As estrelas conversavam entre si, e a paleta de cores monótona do alto ressoava como um soneto vindo do divino, mas ao mesmo tempo t?o vazio quanto a eternidade.

  — Meu filho, desculpe-me. Você nasceu de uma pessoa t?o egoísta. Eu n?o aceito perder minha vida por outra. Ent?o viva longe dessa pessoa que n?o quer te amar.

  Numa chuva fria, a mulher coberta e desconhecida coloca um bebê de pele morena cabelos brancos e olhos levemente azuis dentro de uma cesta e o deixa na porta de um bar enrolado num pano de seda.

  Ela chora ao perceber que havia acabado de deixar sua crian?a em uma situa??o t?o precária.

  — Talvez tivesse sido melhor se eu abortasse… For?a, você tomou uma atitude. — A mulher murmura com os olhos marejados.

  Assim, ela foi embora.

  A crian?a ficou ali por seis horas.

  — Uma crian?a? Quem teve a capacidade de deixá-lo aqui meu anjo? — Fala um homem desconhecido, pegando a crian?a na cesta.

  Ele era um morador de rua. N?o tinha muito a oferecer, mas seu cora??o era sua única comodidade, morava em um beco quase inóspito, mas limpou-o para que a crian?a n?o morresse.

  O homem o alimentava com o resto do dinheiro que sobrava do ferro-velho onde “trabalhava”. A água era obtida com luta e mendicancia. A crian?a foi crescendo. Pela manh?, estudava no colégio municipal de Mainly Heavens.

  Stolen novel; please report.

  A vida dos dois nunca foi fácil.

  (14 anos se passaram)

  — Huf... Huf...

  — Por sorte consegui isso a tempo, quase que fui pego, desta vez a gente n?o passa a noite com fome ou se humilhando da cal?ada. Embora eu achei que aquele homem n?o foi muito com a minha cara mesmo sem ele saber do que eu fiz. Enfim, n?o posso deixar que o meu pa-

  —Protea, venha aqui. — Fala o homem, com sua testa franzida, e um tom sério na vez.

  -Oi, pai. O que foi? — Fala Protea, colocando algo em suas costas, seu rosto estava vermelho e suando.

  -O que é isso em sua m?o, meu filho? — Fala o homem, o observando dentro dos olhos.

  -Comida, pai. — Fala Protea, colocando um saco de biscoitos a vista.

  -Onde conseguiu? — Indaga o pai.

  -Um homem me deu. — Fala Protea, desviando o olhar.

  -N?o minta para mim, Protea. — Fala o homem, com uma express?o seríssima e a postura rígida.

  -Mas pai... O senhor n?o cansa de viver nessa vida miserável?! A gente mal tem um lar para viver, e o senhor fica fazendo quest?o de um simples bis- — Fala Protea com um tom alto, e inclinando seu corpo para frente.

  -Calado! Você sabe que foi essa vida miserável que sustentou nós dois até hoje e que n?o fez eu ou você morrermos de fome! Eu n?o tolero roubos, Protea. Vá devolver agora! — Fala o homem, colocando o dedo no peito de Protea, e com o rosto tenso e a postura rígida.

  — Mas pa-

  — AGORA!

  Protea pega o saco de biscoitos e vai devolvê-lo ao mercadinho.

  — Olha... Eu vim devolver esse saco de biscoitos que eu roubei... Eu me sinto arrependido por isso, ent?o por favor me desculpem pelo meu comportamento.

  Após falar isso ele sai correndo, mas e agarrado por trás por um homem alto e forte, que possuía um boné azul, fora o uniforme do mercado que já era da mesma cor.

  — Eu sabia que tinha algo de errado com você seu moleque.

  — Senhor, vamos com calma, eu sou morador de rua, passo fome, passa esse pano pra mim.

  — Ninguém rouba esse lugar e sai impune enquanto eu for o seguran?a.

  — Rapazes, venham, vamos dar um li??o nesse pirralho.

  — Ei, ei, ei, por favor n?o faz isso!

  — Esperem... N?o o machuquem. Eu que mandei ele roubar. Se forem punir alguém, punam a mim. — Fala um velho magro e baixo.

  — Espera aí pai, o que você tá falando!? — Diz Protea, suando frio.

  — Você sabe falar coisas convincentes, velhote! — Fala o seguran?a, estalando os dedos.

  Os funcionários pegam o homem e o espancam.

  Infelizmente o rapaz n?o estava em condi??es de aguentar esse tipo de tratamento.

  Numa chuva que mais parecia lágrimas do céu

  Pessoas e lástimas num fim t?o cruel

  Humanos e morte cumprindo teu papel

  Vida fora rejeitada pela natureza

  Sob um fonte nascida do céu cultiva pureza.

  -Pai… por quê? — Fala Protea, tentando segurar as lágrimas que vinham de dentro de si, seu corpo tremia como se estivesse no frio da antártida e seu cora??o sentia um aperto aflitivo nunca antes presenciado.

  -Filho, meu querido filho, você é a coisa mais preciosa nesse mundo para mim. Por favor, escute este velho. N?o roube. N?o mate. N?o seja um homem ruim, meu tesouro, infelizmente seu pai n?o é muito forte. Eu sou um pai horrível… como posso estar deixando você sozinho nesse mundo? Mas escute… o seu nome… eu o dei porque eu sei, meu filho… que mesmo nas nossas situa??es… você consegue… ser… alguém… bom… eu… te… amo. — Fala o homem.

  — Pai?…

  ó rito de origem

  é t?o doloroso quanto dizem

  Passa pelo inferno

  N?o há caminho paralelo

  Tens uma jornada inversa

  Daquela que tem suas fases

  Há infelicidades repletas

  ó herói de mil faces.

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