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Quando estavam prestes a sair da caverna, o lobo parou abruptamente, seu olhar apreensivo voltado para a saída.
— Como eu posso sair se os guardas est?o lá fora? Eles me matariam sem pensar duas vezes.
Samuel também parou, refletindo por um momento. Mas antes que pudesse formular um plano, um pequeno portal surgiu à sua frente, cintilando com um brilho prateado.
O lobo arregalou os olhos, recuando ligeiramente.
— Caramba, humano. Seu poder é realmente incrível.
Samuel hesitou, seu olhar fixo no portal. Ele sabia que n?o era obra de seus poderes, mas percebeu que o lobo já estava impressionado e n?o queria alarmá-lo.
O lobo observou o portal por mais alguns segundos antes de seguir Samuel através dele. Quando emergiram do outro lado, estavam em uma clareira distante, cercada por árvores altas e sombras reconfortantes. Era um local seguro, longe o suficiente da alcateia para n?o serem vistos.
— Parece que conseguimos — disse o lobo, olhando ao redor. — N?o estamos t?o longe da Fortaleza. Se formos rápidos, podemos chegar antes do entardecer.
Samuel estreitou os olhos, observando o horizonte.
— Você já esteve na Fortaleza antes?
O lobo assentiu, seus olhos escurecendo com as memórias.
— Vivi lá a maior parte da minha vida. Eu conhe?o cada canto daquele lugar, por dentro e por fora. Eles... criaram todos nós para acreditar nas mentiras deles. A Fortaleza n?o é apenas uma base; é uma pris?o. é onde eles quebram os espíritos dos lobos, transformando-os em armas.
— Ent?o é lá que todos os lobos capturados est?o?
O lobo balan?ou a cabe?a, confirmando com um olhar sombrio.
Enquanto discutiam, o farfalhar das folhas os alertou. Samuel se virou rapidamente, sua postura rígida e alerta. Uma figura emergiu das sombras, os olhos ardendo de desprezo, como brasas alimentadas pelo ódio.
— Eu sabia que você era um traidor, humano... — disse a voz cortante, ecoando pela floresta.
O lobo deu um passo para trás, a tens?o evidente em seu corpo, como se cada fibra de seu ser reconhecesse o perigo à sua frente.
— Achou mesmo que eu cairia na sua engana??o, n?o é? — O intruso, de porte robusto e olhar amea?ador, avan?ou lentamente, suas palavras carregadas de desprezo. — Ajudando um traidor... que decep??o. Mas, vindo de alguém como você, isso n?o é nenhuma surpresa.
Antes que qualquer rea??o pudesse acontecer, o lobo come?ou a mudar. Sua forma se contorceu, os músculos se expandiram, e sua silhueta tornou-se algo imponente e aterrorizante. A figura agora tinha asas negras que se abriram com um estrondo, exalando uma energia opressora que fez o ar ao redor vibrar.
— A rainha vai adorar saber disso — disse ele, com um sorriso cruel, enquanto seus olhos reluziam em desafio.
Samuel deu um passo à frente, seu rosto inexpressivo, mas sua postura firme. Ele estendeu o bra?o, empurrando o lobo para trás, como se o protegesse instintivamente.
— Você tem que ir sozinho — disse ele, sua voz baixa e controlada. — Libertar os outros depende de você.
— Mas eu... eu n?o sei se consigo. — A voz do lobo tremia, dividida entre o medo e a dúvida.
Samuel o encarou, seus olhos firmes, quase desafiadores.
— Você consegue. Acredite. Se quer se redimir e fazer o que é certo, agora é a sua chance.
Um pequeno fragmento de luz brilhou diante do lobo, como um reflexo da confian?a que Samuel tentava depositar nele. O lobo engoliu em seco, desviando o olhar por um momento, e, com um último aceno hesitante, correu em dire??o à Fortaleza.
O lobo angelical rugiu, um som que parecia rasgar o ar, e avan?ou para atacar o fugitivo. Samuel se moveu em um instante, interceptando-o com um golpe de energia que o lan?ou para trás.
— O que pensa que está fazendo, humano? — O lobo angelical se ergueu, os olhos queimando de fúria, enquanto limpava a poeira do pelo. — A rainha nunca deveria ter dado ouvidos a alguém t?o insignificante como você. Você n?o é o primeiro a tentar... e, com certeza, falhará miseravelmente.
Samuel n?o respondeu, apenas estreitou os olhos, o silêncio pesando mais do que mil palavras.
— Você nunca será um de nós. N?o passa de um humano... fraco, patético, inútil...
Antes que pudesse terminar, Samuel deu um passo à frente e o golpeou novamente, com for?a suficiente para arremessá-lo contra uma árvore, que rangeu sob o impacto.
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— Cala a boca. — Samuel murmurou, a voz baixa e gélida.
O lobo angelical rosnou, a raiva alimentando seus movimentos. Ele desapareceu em uma sombra, movendo-se rápido entre as árvores, como um predador à espreita. Suas investidas eram precisas e letais, mas Samuel se movia com a calma de quem já conhecia a dan?a da batalha. Ele erguia barreiras luminosas com um simples gesto, repelindo cada ataque como se fosse instintivo.
O confronto se intensificou, uma batalha entre luz e trevas. O lobo angelical conjurou uma esfera de energia sombria, uma massa pulsante que parecia engolir tudo ao redor, e a lan?ou com for?a devastadora. Samuel levantou a m?o, dissipando o ataque em um clar?o que iluminou toda a floresta.
— Você n?o entende, humano. Seu esfor?o é inútil. Você nunca derrotará a rainha.
Samuel respondeu apenas com um olhar, sua express?o firme e inabalável.
Quando o lobo angelical avan?ou novamente, movendo-se como um vulto, o ambiente mudou. A temperatura caiu bruscamente, e uma sombra densa tomou conta da floresta. Ambos os combatentes pararam, voltando-se para a figura que emergia de um portal.
— Chega. — A voz era fria e cortante, carregada de autoridade que fazia até mesmo o lobo angelical recuar instintivamente.
A rainha surgiu, sua figura elegante e amea?adora. Seus olhos brilhavam com um misto de desdém e curiosidade enquanto avaliava a cena.
— O que pensam que est?o fazendo aqui?
O lobo angelical imediatamente se curvou, sua postura submissa.
— Ele...
— Silêncio! Eu estou falando. — A rainha cortou, sua voz afiada como uma lamina.
O lobo angelical engoliu em seco, incapaz de continuar.
— Você n?o deveria estar aqui. Mandei você preparar a alcateia para um possível ataque, n?o causar essa confus?o desnecessária. Isso é inaceitável.
— Mas ele é um traidor! Libertou o infiltrado e o deixou escapar! — protestou o lobo angelical, apontando para Samuel.
A rainha olhou para Samuel, sua express?o inalterada.
— Traidor? Você sabe o que ele estava fazendo?
Samuel manteve o olhar fixo nela, enquanto o pequeno fragmento de cristal brilhava em seu bolso. Ele o pegou, segurando-o à vista de todos.
— Eu ouvi e vi tudo desde o come?o — disse a rainha, sua voz gélida. — Você deveria aprender a seguir minhas ordens.
O lobo angelical hesitou, confuso, seus olhos se estreitando enquanto tentava compreender a situa??o que se desenrolava diante dele.
— Ent?o foi você que abriu aquele portal? - perguntou Samuel, sua voz carregada de frieza e desconfian?a, o olhar fixo na rainha, buscando qualquer sinal de manipula??o.
A rainha, com um sorriso enigmático, concordou lentamente, seus olhos brilhando com um tom amea?ador.
— Sim, fui eu. Fiquei impressionada com o que fez com aquele lobo. Usou palavras, em vez de tortura. Algo... refrescante.
Sua express?o mudou abruptamente quando ela se virou para o lobo angelical, os olhos agora estreitos e repletos de desdém.
— Você desobedeceu às minhas ordens e agiu sem pensar, atrapalhando meus planos. Sua impulsividade e arrogancia n?o ser?o toleradas.
O lobo angelical, envergonhado, abaixou a cabe?a, mas n?o conseguiu esconder o tremor que percorreu seu corpo. Seu orgulho estava sendo esmagado diante de todos.
A rainha observou com prazer a rea??o dele, e, com um gesto calculado, ergueu a pata. As sombras ao redor do lobo angelical come?aram a se contorcer, tomando forma de tentáculos etéreos que se enroscavam em seu corpo. As asas negras - símbolo de sua for?a e conex?o com a rainha - come?aram a murchar, desintegrando-se em partículas de energia sombria que se dispersavam no ar. O lobo angelical soltou um uivo de dor, sua voz ecoando pela floresta, enquanto ele caía de joelhos, sentindo o peso de sua puni??o.
Foi nesse momento que Samuel avan?ou, posicionando-se entre a rainha e o lobo angelical, seu olhar endurecido.
— O que você acha que está fazendo com ele? — Samuel perguntou, sua voz carregada de indigna??o e firmeza.
A rainha o observou, seus olhos agora desprovidos de qualquer empatia.
— Eu estou punindo-o, Samuel. Ele falhou.
— Você acha que ele pensaria o quê ao me ver libertando aquele lobo? — Samuel retrucou, a tens?o em sua voz crescendo. — Diferente de você, ele n?o colocou uma "escuta" em mim para ouvir e saber o que estava fazendo.
A rainha, por um momento, pareceu chocada pela ousadia de Samuel. Seus olhos brilharam de surpresa, mas ela n?o o julgou. Era uma rea??o inesperada, mas ela sabia que ele era imprevisível.
— Você está defendendo ele? — A rainha perguntou, sua voz suave, mas carregada de incredulidade. — Um lobo que te julgou apenas por ser humano?
— Estou, e você vai fazer o quê a respeito? — Samuel respondeu, sem hesitar, sua postura ainda firme, mas seu olhar desafiador.
A rainha, por um momento, soltou uma leve risada, algo quase divertida em sua express?o.
— Você é igual ao Alfa... inacreditável.
Com um gesto quase desinteressado, ela usou seus poderes mais uma vez, e as sombras que ainda restavam ao redor do lobo angelical se reformaram, restaurando suas asas com um brilho sombrio.
— Volte para a alcatéia e cumpra suas ordens — disse ela, sua voz fria. — E da próxima vez, n?o desperdice minha paciência com sua incompetência.
Ela ent?o se virou para Samuel, seu olhar agora mais calculista.
— E você, Samuel. Sabe o que fazer com qualquer informa??o. N?o me fa?a perder mais tempo.
Com uma express?o séria, Samuel apertou a m?o sobre o cristal que ainda segurava, quebrando-o com um único gesto, como se selasse seu destino ali.
A rainha observou, uma leve risada escapando de seus lábios enquanto ela dava um passo para trás, já se preparando para deixar o local. Um portal prateado se abriu atrás dela, e ela desapareceu, deixando apenas a densa escurid?o para trás.
O lobo angelical, agora restaurado e com suas asas intactas, se virou para Samuel, ainda surpreso pela a??o dele.
— Por que me ajudou? — Perguntou, a voz grave, ainda um pouco desconcertada.
Samuel o olhou por um momento, sua express?o séria, mas com um leve tom de compaix?o.
— Porque sim, agora sai daqui. — Ele respondeu com firmeza, gesticulando para o lobo se afastar.
O lobo angelical hesitou por um momento, mas ent?o, sem mais palavras, se virou e desapareceu nas sombras da floresta, sumindo rapidamente de vista.
Samuel ficou sozinho, a floresta silenciosa ao seu redor, o peso da decis?o ainda ecoando em sua mente. Ele sabia que aquela noite marcaria algo maior. Mas o que seria, ele ainda n?o sabia.
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