O pé de Eilian bate com firmeza contra o ch?o após o lan?amento esmagador de Gewissen. O impacto seguiu causando um rastro de destrui??o enquanto o vácuo do seu simples movimento balan?ava os destro?os ao redor.
一 Merda…! Essa maldita fênix! – Em frustra??o, o escudo enorme espinhoso se desfaz. A autoridade de Scutum evapora como fuma?a do topo da cabe?a do Cavaleiro.
一 Quem era? – Intrigado, Berith se aproxima um pouco mais do homem. Com os bra?os para trás e os pulsos cruzados na altura da cintura, observa a situa??o causada em uma fra??o de segundos…
一 A maldita Lebre das for?as rebeldes. N?o imaginei que ela viria aqui pessoalmente pra resgatar eles…! – O punho do grande homem colidiu lateralmente contra um peda?o de parede.
一 Hm… Nesse caso, n?o precisa se preocupar, guia. Eu consigo saber exatamente para onde ela foi. – Sob a perspectiva do dem?nio, conseguia distinguir cada tra?o de Consciência utilizado pelos mortais. Eles se elevam como fios entrela?ados em dire??o ao céu e saem diretamente do topo da cabe?a de cada um deles.
Ao encarar a fei??o desse monstro, o Cavaleiro arrepiou por inteiro. A densidade de for?a acumulada em seu interior, provavelmente era equiparável à do Senhor das Chamas. Porém, o som dos seus soldados se levantando chama mais a aten??o.
Respirando profundamente, Eilian diz:
一 LEVANTAM-SE! AINDA OUSAM DIZER QUE SERVEM O SENHOR DA GUERRA?! AQUELES QUE N?O SE ERGUEREM, EU MESMO OS MATAREI! – Novamente, o seu urro esvaiu-se como uma bomba para os arredores. A energia dele parecia amplificar o seu poder vocal com a autoridade máxima sobre os lacaios.
Em um único instante após o anúncio, os Cavaleiros inferiores e os Batedores se ergueram. Feridos? Sim. Mas com a determina??o necessária para continuarem lutando.
Enquanto o guia lidava com seus servos, o dem?nio se aproximou de Yurgen cristalizado.
一 Esse homem no cristal… Vamos levá-lo. – O palmo do monstro pousou sobre a superfície do cristal que o aprisiona. Os olhos dele deslizaram para cima em busca do fio da Consciência, mas n?o havia nada ali…
一 Ele n?o está morto? – Questionou o guia enquanto distribuía cristais verdes para os seus soldados.
一 Definitivamente. Mas a morte representa somente o fim da sua consciência, pois o corpo se torna vazio. Porém, talvez eu consiga alguma utilidade caso consiga tirá-lo desse cristal… Ele tem o dom inato de manusear às Trevas. – Enquanto falava, Berith tomou à frente para partirem morro abaixo e seguir até a Zona Nobre de Balmund.
Com a sugest?o do monstro, Eilian se aproxima da carca?a vazia. Somente com for?a bruta, o retira do ch?o junto do cristal e o coloca sobre os ombros.
一 Nossos meios de locomo??o est?o nos túneis subterraneos. Vamos descer usando os elevadores na base da montanha. – Em forma??o, eles partem escoltando a criatura convocada diretamente das Trevas.
一 S?o aquelas carruagens flutuantes? A tecnologia humana é realmente intrigante… – Ansioso para descobrir mais sobre esse mundo, o dem?nio nunca havia encontrado um receptáculo que pudesse suprir a maior parte da sua existência. Mas dessa vez era diferente…
一 Eles se chamam Schiff… N?o sei muito bem como funcionam, mas s?o movidos por energia cristalizada, os Lebenstein… Isso é coisa de Alquimista. – Finalizou com desdém, o Cavaleiro aparentemente n?o gosta muito de assuntos complexos.
Conforme descem a floresta em dire??o a base da montanha, a claridade da manh? finalmente aparece. Sob o raiar do dia, a criatura parece deslumbrada pela luminosidade e o calor em sua pele.
Por outro lado, mesmo em um sal?o vasto repleto de luzes amareladas, mas frias, a fissura da Fênix exp?e o trio que escapou de Kromslaing. A mulher com ombreiras de ouro respira fundo, encarando o próprio palmo trêmulo ao relembrar dos olhos profundos e maliciosos daquela entidade…
“Aquilo n?o era humano… Ela sabia que eu ia aparecer, no momento em que eu saí da fissura, ela já estava olhando pra mim… Precisamos sair daqui, n?o é mais seguro permanecer escondido com aquilo solto…”
Ao fim do pensamento, a Lebre olha para trás. A máscara de coelho encara Jeanice com os dois palmos sobre o ch?o, Carmen está sentada e o garoto encarando o teto do sal?o com uma express?o vazia…
A aten??o da mulher de cabelo laranja volta para frente ao ouvir o ranger da porta. Escoltada por duas máscaras de gato, a anci? Yolina aparece entre eles. A express?o dela é séria, mas se torna ainda mais pesada quando percebe que faltava um deles…
一 Como foi, filha? – Aproximando-se com seus passos curtos, a pequena senhora demonstra estar visivelmente preocupada.
一 Ele realmente foi consumido… Mas o que temíamos aconteceu, m?e… Balmund conseguiu trazer o primeiro dem?nio. Eu o vi… Ele é totalmente diferente de qualquer coisa… Temos que sair daqui rápido! – Mesmo com o rosto tapado pela máscara, a sonoridade das falas demonstram receio e pavor por reconhecer a amea?a dessa entidade.
一 Se acalme. Sairemos daqui logo em breve… Primeiro temos que desfazer a Ruína no vilarejo deles. – A baixinha estica o bra?o para acariciar a costela de sua filha, mas em seguida, volta o olhar para os três ao fundo.
O menino está completamente paralisado.
Carmen, com o rosto baixo, demonstra o clima fúnebre ao reconhecer que aquele homem morreu.
Já a meia-elfa é uma adi??o inesperada…
一 Levantem-se. Estamos seguros aqui por hora, ent?o aproveitem para relaxarem e se recuperarem enquanto podem. – A idosa-gato se aproxima da ruiva sentada ao ch?o.
A m?o enrugada repousa sobre a bochecha da espadachim. Os olhos rosados de Yolina brilham e sua energia flui para a mulher em uma mensagem:
一 “Eu irei te contar o que ele escondeu de você. N?o se sinta brava por n?o ajudá-lo… Ele escolheu ficar em silêncio porque sabia que você se sentiria mal caso soubesse…”
Mordendo os próprios lábios, Carmen se sente ainda mais patética. O rosto dela se contorce t?o firmemente quanto a dor pontiaguda em seu peito. O principal resquício de sua amada irm? se foi… Apesar disso, se sentiu reconfortada pela gentileza da senhorinha que a conhece desde a infancia…
Afastando-se, a velha materializa outra máscara de gato com seu poder. Dessa forma, ao soltá-la no ar, outro servo se infla como bexiga para totalizar três soldados ao seu dispor.
A case of literary theft: this tale is not rightfully on Amazon; if you see it, report the violation.
一 Meninos, levem eles para os quartos…
Congelado, Raisel sai do sal?o. No outro instante, está dentro de uma banheira e, em seguida, sentado na cama espa?osa de um dos c?modos. O olhar dele n?o mudou. O rosto dele n?o se alterou. O brilho em seus olhos parece estar totalmente ofuscado pelo trauma.
“Meu av?… morreu?”
“é minha culpa… por n?o ter usado o medalh?o?”
“N?o… é minha culpa por ser fraco demais…”
“Desde o come?o ele me protegeu… Eu dizia que queria virar um N?made pra ser como ele…”
“Enchê-lo de orgulho… Pra ficar forte… Mas a verdade é que eu nunca levei isso à sério…”
“é por isso… que ele morreu. Porque eu n?o sou forte… Porque eu… só sei depender dele…”
“Mas agora ele se foi… Por que eu lutei até agora? O que adianta salvar o vilarejo, se meu pai n?o vai estar mais comigo…?”
Deitando-se sobre o colch?o, as lágrimas escorrem do rosto sem perceber. A express?o n?o muda. O teto parece t?o distante, mas próximo.
Sob um diferente teto, a espadachim sem bra?o está de frente para a velha. A fei??o no rosto da ruiva é marcante pela profundidade das olheiras em seu semblante. Mas ainda assim, ela olha para a anci? sentada à poucos metros.
一 Você sabe que ele passou cinco anos procurando uma cura para a doen?a da sua irm?. Mas o Verdorren é letal. Você cuidou dela por todos esses anos, tomando conta do Raisel e do Olga junto dos outros… – A fala da senhora é carregada de nostalgia, mas também de uma dor antiga. Afinal, conhecia tanto Sarina quanto Carmen desde à infancia.
一 Mas ele falhou. Você o culpou como se ele tivesse a abandonado… Ele sequer viu os últimos momentos da sua esposa e, também me disse que n?o se lembra do rosto dela. Mas ele vagou do leste à oeste de Wynward procurando alguém que pudesse tratar o Verdorren.
Enquanto a idosa fala, o rosto da ruiva se abaixa. Essas lembran?as ardem como ontem. Era como se um peda?o seu estivesse faltando, n?o físico, mas da própria alma.
一 Ele… deveria ter voltado pra casa… Ela morreu feliz… Ela sorriu por ele estar lutando até o fim… Mas do que adiantou, Yolina? Eu vi minha irm? se tornar um cadáver murcho, podre… Mesmo dando banho, cuidando dos seus ferimentos… Ele n?o viu o próprio filho crescer… O Olga ainda o odeia por isso… Ele errou em tudo… Em tudo! – Respingando em sua coxa esquerda, as lágrimas também caem no palmo direito sobre a outra perna.
一 Eu sei. Mas você o conhece… Ele tinha esperan?as até o fim de que conseguiria salvá-la. Ele vendeu a própria liberdade para isso… Você deve ter visto… Os olhos dele completamente escuros pela escurid?o de um Dem?nio. – A express?o de Yolina se enfurece. Jamais esperava algo assim de Yurgen, mas o desespero o levou a engana??o…
一 Esse dem?nio… Ficou com ele por todo esse tempo… Eu percebi que o olhar do Yurgen mudou quando ele retornou… Ele sequer chorou quando eu contei que a Sarina havia morrido…! O olhar dele brilhava como o do Raisel… Era isso que minha irm? amava nele… – Frustrada, os dentes se apertam fortemente.
一 Mas agora, ele envolveu até o Raisel com esse dem?nio…! Como ele pode fazer isso com uma crian?a?! ELE AMALDI?OOU O PRóPRIO NETO! – Em fúria, o bra?o direito balan?ou contra o ar enquanto se levantava.
一 Se acalme. – A ponta da bengala bate contra o ch?o expondo o Gewissen rosado de Yolina como uma ordem autoritária. A voz suave contrasta perfeitamente com o olhar de dor.
Com a press?o da idosa-gato, Carmen se assusta como um filhote quando vê a própria m?e enraivecida. Ainda em fúria, ela se senta, mas de cabe?a baixa.
一 Ele sabia e considerou tudo isso. Ele realmente foi um homem falho, mas ele amou tanto Sarina quanto Raisel até o fim. Todos os sacrifícios que ele fez podem ser questionáveis, mas foram necessários… O garoto n?o conseguiria sobreviver à jornada se ele n?o o fizesse… E ele foi atrás desse Dem?nio pelo boato de seu poder de cicatrizar qualquer ferida… Sua esperan?a o condenou para o seu próprio fim. N?o menospreze a dor que ele sentiu por todo esse tempo, Carmen. – Sob o rosto da velha, as veias enfurecidas demonstram indigna??o com o egoísmo dessa crian?a. A exaust?o a levou para a irracionalidade.
一 Desculpa… – Sussurrou com arrependimento, mas ainda confusa sobre tudo isso.
一 Antes de partirem para Kromslaing, ele me contou sobre o que fez com o Raisel, mas também me disse que sabia que iria morrer lá. Ele preferiu ser cristalizado de dentro para fora, do que ser completamente apagado na corrup??o do Geloscht. Pois sabia que caso fosse corrompido, Leraje faria ainda mais atrocidades com o seu corpo e, quem sabe, até mesmo atacaria vocês… Ele jamais se perdoaria caso matasse você ou o Raisel. Assim como nunca se perdoou por ter falhado com sua irm?. – As palavras da senhora s?o firmes com o olhar estreito. Essa rigidez esconde a dor empática de imaginar o qu?o difícil foi fazer essas escolhas enquanto a própria vida se esvai.
Cabisbaixa, a ruiva n?o tem mais nada a dizer.
一 Vá descansar… Em poucas horas sairemos daqui para a base em Roderich. – Completou enquanto se levantava.
Dessa forma, a velha caminhou rumo às escadas laterais para subir até o quarto em que Raisel está.
Ao chegar no corredor, ela avista Lavi parado em frente à porta. Ele parecia indeciso e conflitante se poderia entrar ou n?o. Ao mesmo tempo que queria confortar o amigo, algo o impedia…
“Eu vi quando a porta daquele sal?o se abriu… Ele parecia diferente.”
一 O que está fazendo, menino? – Como uma assombra??o, a fala de Yolina faz o garoto pular para trás em susto.
一 N-N-Nada! – Como um bom fuj?o, saiu correndo pelo corredor.
Vendo toda essa cena, a anci? apenas suspirou…
一 Francamente…
Virando-se de frente para a porta, tocou nela algumas vezes antes de abri-la.
一 Estou entrando, Raisel.

