Capítulo 39: O Jogo do A?ougueiro
I. O Recado do Rei e o Jogo do A?ougueiro
O impacto foi um trov?o. O punho de Blackmouth, envolto em uma energia negra maci?a, atingiu Zack com a for?a de um meteoro, lan?ando-o através do campo de batalha como um boneco de pano. Dezenas de soldados foram atropelados, seus corpos se contorcendo e quebrando sob o rastro do Rei do Horror. A cúpula de trov?es negros que protegia K, Lyra, Mira e o Menino estremeceu, mas se manteve firme, um escudo cintilante contra o caos que se instalava.
— SOLDADOS!! MATEM TODOS!! — o rugido de Blackmouth ecoou, carregado de uma excita??o doentia. O exército, antes hesitante, avan?ou como uma maré negra, seus gritos de guerra misturando-se ao estalar de armas e ao cheiro de oz?nio que ainda pairava no ar. A presen?a de Blackmouth era um peso físico que esmagava a esperan?a, e sua aura verde-escura se espalhava, contaminando o ar.
Dentro da cúpula, o panico era palpável. Lyra e Mira se posicionaram, suas armas prontas, os olhos fixos na massa de inimigos que se aproximava. K, com a m?o no cabo de sua espada, sentia o cora??o martelar no peito. Ela nunca havia presenciado uma for?a t?o avassaladora. Nati, por sua vez, estava paralisada. Seus olhos vermelhos, antes opacos de desespero, agora brilhavam com um horror gélido. Ela conhecia Blackmouth. Conhecia seus métodos. E sabia que Zack estava em um inferno particular.
Zack se levantou lentamente, o corpo dolorido, mas a mente afiada. O golpe de Blackmouth havia sido brutal, mas n?o o suficiente para derrubá-lo. Ele sentiu o gosto metálico de sangue na boca, mas seus olhos negros, agora abertos, ardiam com uma intensidade fria. A Black Moon, em suas costas, vibrava, sedenta por sangue, mas Zack a manteve embainhada. Ele sabia que o jogo de Blackmouth n?o era sobre for?a bruta, mas sobre crueldade e manipula??o. Sua Percep??o da Essência estava em alerta máximo, mapeando cada soldado, cada movimento, cada inten??o assassina.
Blackmouth sorriu, sua língua preta e tatuada balan?ando no ar. Ele jogou um dado no ch?o, e um dado gigante, vermelho e translúcido, materializou-se acima de suas cabe?as, girando lentamente. O número 5 brilhou em uma de suas faces. A habilidade Tirar havia sido ativada.
— Vamos brincar, Rei do Horror — Blackmouth provocou, seus olhos fixos em Zack. — Cada golpe que você me der, eu posso transferir para alguém próximo. E se você me der um hitkill... bem, você já sabe. Eu me torno invencível por cinco minutos. Que tal? Quer matar alguns dos seus antigos súditos para me atingir?
O dilema era cruel. Zack era o Messias para muitos daqueles soldados, o homem que os havia salvado das abomina??es do Vazio. Agora, Blackmouth os usava como escudos humanos, for?ando Zack a escolher entre sua própria sobrevivência e a vida daqueles que ele um dia protegeu. Era uma luta suja, exatamente como Blackmouth gostava.
— Desgra?ado! — K rosnou, apertando o punho. — Ele está usando os próprios homens!
Nati fechou os olhos, uma lágrima solitária escorrendo por sua face. Ela havia visto Blackmouth fazer isso antes. Ele n?o tinha moral, n?o tinha ética. Para ele, a vida humana era apenas uma ferramenta, um recurso descartável em seu jogo sádico. Ela sentia o cheiro pútrido da aura de Blackmouth, que se misturava com o cheiro de oz?nio e sangue, uma sinfonia macabra que a lembrava de seu próprio passado.
II. O Combate Desarmado e a Fúria Silenciosa
Zack avan?ou, a Black Moon ainda embainhada. Ele n?o podia usar sua espada para dizimar os soldados. Ele precisava de uma abordagem diferente. Sua maestria em Combate Corpo a Corpo era sua única arma agora. Blackmouth riu, desferindo uma série de Socos Negros com uma velocidade surpreendente. Zack desviou dos primeiros, sentindo o vento cortante de cada golpe. O ar ao redor deles estalava com a energia, e os soldados mais próximos recuavam, aterrorizados.
— O que ele está fazendo? Por que n?o usa a espada? — Lyra perguntou, sua voz tensa. Ela observava a luta com uma mistura de preocupa??o e análise tática. — Ele está se segurando!
Mira, com os olhos fixos em Zack, respondeu: — Ele n?o pode. Se ele usar a Black Moon, Blackmouth vai transferir o dano para os soldados. Ele está preso em um dilema moral. Ele está usando sua Aura Negra para se proteger, mas n?o para atacar.
O Menino, dentro da cúpula, observava a luta com os olhos arregalados. Ele sentia a dor de Zack, a frustra??o, o dilema. Ele estendeu a m?ozinha em dire??o a Zack, como se quisesse protegê-lo. Sua conex?o com Zack era profunda, e ele sentia cada golpe, cada hesita??o.
Zack, percebendo a estratégia de Blackmouth, decidiu usar o corpo a corpo. Ele era um mestre em combate desarmado, capaz de interceptar golpes, desferir chutes precisos e contra-ataques rápidos. Mas Blackmouth era um especialista em luta suja. O General da Era de Ouro era um a?ougueiro, e o campo de batalha era seu matadouro.
Blackmouth desferiu um Soco Negro direto no peito de Zack. Zack o bloqueou com o antebra?o, sentindo o osso estalar. A dor era intensa, mas ele a ignorou. Em vez de revidar com for?a total, Zack usou a própria for?a de Blackmouth contra ele, girando e lan?ando o general contra um grupo de soldados. Blackmouth riu, transferindo o impacto para três de seus homens, que caíram mortos instantaneamente, seus corpos se contorcendo em agonia. O sangue jorrou, manchando a terra vermelha.
— Que desperdício! — Blackmouth provocou. — Você é muito gentil, Rei do Horror. Deveria ter me atingido com mais for?a. Assim, eu teria que matar mais deles!
Nati cerrou os dentes. A crueldade de Blackmouth era insuportável. Ela queria gritar, queria avisar Zack, mas sua voz estava presa na garganta. Ela se sentia culpada, responsável por aquela situa??o. Se ela n?o tivesse fugido, se n?o tivesse buscado a ajuda de Zack, nada disso estaria acontecendo. A vis?o dos soldados morrendo por um golpe que deveria ter atingido Blackmouth a fez tremer. Era a mesma lógica de Ygon, a mesma manipula??o da vida alheia.
K, observando a luta, notou a aura de Blackmouth. Era uma energia verde-escura, densa e opressiva, que se misturava com a aura negra de Zack. Ela percebeu que Blackmouth n?o estava apenas lutando, ele estava se alimentando do medo e do desespero ao seu redor. A cada soldado que caía, a aura de Blackmouth parecia crescer, tornando-o mais forte. A técnica Corvo de Blackmouth, embora n?o ativada diretamente, parecia estar em um estado passivo, sugando a energia espiritual do campo de batalha.
Stolen story; please report.
— Ele está usando a energia dos mortos! — K exclamou, sua voz cheia de horror. — Ele está se fortalecendo com o sacrifício dos próprios homens!
Lyra e Mira se entreolharam, seus rostos pálidos. A situa??o era muito pior do que elas imaginavam. Zack estava lutando contra um monstro que se alimentava da morte. A cúpula de trov?es negros, embora segura, parecia uma gaiola, impedindo-as de ajudar.
III. A Roleta do Infinito e o Sacrifício do Rei
Blackmouth, percebendo que Zack estava em desvantagem, decidiu aumentar as apostas. Ele jogou o dado novamente, e o número 1 brilhou. A habilidade Dado Progressivo foi ativada. Um novo dado, menor e dourado, apareceu acima de suas cabe?as, com uma roleta girando de 1 a 10.
— Agora a divers?o come?a! — Blackmouth gargalhou, sua língua preta balan?ando. — A cada golpe que você me der, o dano dobra. E se eu acertar dois números na roleta, essa habilidade se torna sua, e você Ganha! Que tal? Quer arriscar?
.............SIlencio..............Bingo!! Você perdeu Zack! eu escolhi 1 a 8, e deu 6.
Zack sentiu um calafrio percorrer sua espinha. O Dado Progressivo era uma habilidade de tudo ou nada, uma roleta russa onde a cada tiro, a bala se tornava mais potente. Ele tinha cinco minutos antes que Blackmouth pudesse rejogar o dado e talvez mudar a habilidade. Ele precisava agir rápido. Sua Percep??o da Essência estava gritando, alertando-o para o perigo iminente.
— Zack! — Lyra gritou. — N?o o atinja! O dano vai dobrar!
Mas Zack já havia tomado sua decis?o. Ele n?o podia se dar ao luxo de esperar. Ele precisava desativar a habilidade de Blackmouth, e a única forma era for?á-lo a rejogar o dado. Ele precisava atingi-lo com for?a suficiente para fazê-lo sentir a dor, para fazê-lo hesitar.
Zack desembainhou a Black Moon. A lamina negra pulsava com uma luz sinistra, e a aura de Zack explodiu, engolindo a energia verde-escura de Blackmouth. Os soldados recuaram ainda mais, aterrorizados pela presen?a do Rei do Horror. Seus Olhos Negros brilhavam com uma fúria contida, canalizando o Vazio em sua forma mais pura.
— Finalmente! — Blackmouth exclamou, seus olhos brilhando com excita??o. — Agora sim, a luta come?a!
Zack desferiu o primeiro golpe com a Black Moon. A lamina negra cortou o ar com um assobio mortal, mirando o pesco?o de Blackmouth. O general desviou por pouco, sentindo o vento frio da lamina. Ele revidou com um Soco Negro direto no rosto de Zack. O impacto foi brutal, e Zack sentiu a dor dobrar. O dado dourado acima de suas cabe?as girou, e o número 2 brilhou.
— Um! — Blackmouth gritou, rindo. — O dano dobrou! E agora, o que você vai fazer, Rei do Horror? Vai continuar me atingindo e se matando?
Zack ignorou a dor. Ele sabia que cada golpe que ele recebia era um risco, mas ele precisava for?ar Blackmouth a rejogar o dado. Ele precisava quebrar o ciclo de dor. Ele avan?ou novamente, a Black Moon cortando o ar em um arco mortal. Blackmouth desviou, mas a lamina raspou em seu bra?o, deixando um corte superficial. O dado dourado girou novamente, e o número 4 brilhou. A dor de Zack dobrou novamente.
— Dois! — Blackmouth gargalhou. — Você está se matando, Rei do Horror! E eu nem precisei levantar um dedo!
Dentro da cúpula, K, Lyra e Mira observavam a cena com horror. Zack estava sendo massacrado, e elas n?o podiam fazer nada. O Menino chorava, sentindo a dor de Zack, a agonia que o consumia. Ele apertava as m?os de Lyra e Mira, seus pequenos olhos negros cheios de lágrimas.
Nati, por sua vez, estava em choque. Ela nunca havia visto Zack lutar dessa forma. Ele estava se sacrificando, se permitindo ser ferido para proteger os outros. Ela percebeu que Zack n?o era apenas um ca?ador, ele era um guardi?o, um protetor. E ela, a general de Ygon, havia sido salva por ele. A culpa a corroía, mas uma nova determina??o come?ava a surgir em seu olhar.
IV. A Fúria do Rei e o Despertar da General
Blackmouth, percebendo que Zack estava em desvantagem, decidiu usar sua técnica mais cruel. Ele ativou a habilidade Satan. Ele tocou em um de seus soldados feridos, e o corpo do homem come?ou a inchar, transformando-se em uma bomba humana. Blackmouth lan?ou o soldado contra a cúpula de trov?o que protegia o grupo de Zack.
— Zack! — Lyra gritou. — Ele está usando os soldados como bombas!
Zack, com a dor dobrando a cada golpe, viu o soldado se aproximar da cúpula. Ele n?o podia permitir que a bomba atingisse seus aliados. Ele precisava agir. Com um grito gutural, ele invocou: — TROV?O!
Em um piscar de olhos, Zack se teleportou, interceptando o soldado-bomba no ar. O impacto foi devastador. A explos?o o atingiu em cheio, e Zack sentiu a dor triplicar. O dado dourado girou novamente, e o número 8 brilhou.
— Três! — Blackmouth gritou, seus olhos brilhando com uma loucura sádica. — Você é um tolo, Rei do Horror! Você se sacrifica por pe?es que n?o valem nada!
Zack caiu no ch?o, o corpo queimado e dolorido. A Black Moon caiu de suas m?os, e ele sentiu a consciência se esvair. Ele estava no limite. A dor era insuportável, e a cada segundo, ela dobrava, triplicava, quadruplicava. Ele estava preso em um ciclo de agonia, e Blackmouth estava se divertindo com isso.
— Zack! — K gritou, sua voz cheia de desespero. Ela tentou sair da cúpula, mas Lyra a segurou. — Eu preciso ajudá-lo! Ele vai morrer!
Mira, com os olhos marejados, ativou sua Percep??o da Essência, tentando encontrar uma brecha, uma fraqueza em Blackmouth, mas a aura do general era um muro impenetrável de crueldade e poder. O Menino, vendo Zack no ch?o, soltou um grito agudo, e por um instante, seus olhos negros pareceram brilhar com um tom dourado, mas a ilus?o de K se manteve firme.
Nati, vendo Zack no ch?o, sentiu uma fúria crescente. Ela havia sido salva por ele, e agora ele estava morrendo para protegê-la. Ela n?o podia permitir isso. Ela se levantou, seus olhos vermelhos brilhando com uma determina??o renovada. Ela se lan?ou em dire??o a Blackmouth, sua aura explodindo em uma onda de energia.
— Você n?o vai matá-lo! — Nati gritou, sua voz cheia de ódio. — Eu n?o vou permitir!
Blackmouth riu, desviando do ataque de Nati com facilidade. Ele a atingiu com um Soco Negro, lan?ando-a para longe. Nati caiu no ch?o, o corpo dolorido, mas ela se levantou novamente, seus olhos fixos em Blackmouth.
— Que patético! — Blackmouth provocou. — Você é fraca, general. Você n?o pode fazer nada contra mim.
Mas Nati n?o desistiu. Ela sabia que n?o podia vencer Blackmouth em um combate direto, mas ela podia distraí-lo. Ela podia ganhar tempo para Zack. Ela se lan?ou novamente, seus ataques desesperados, mas cheios de fúria. Ela era uma general, uma guerreira, e n?o se curvaria. Sua Aura de Horror se manifestou, uma sombra vermelha que tentava envolver Blackmouth, mas ele a ignorava, focado em Zack.
Zack, no ch?o, sentiu a presen?a de Nati. Ele sentiu a fúria dela, a determina??o. Ele abriu os olhos, e seus olhos negros encontraram os olhos vermelhos de Nati. Ele viu a gratid?o, a lealdade, o sacrifício. E ele percebeu que n?o estava sozinho. Sua Percep??o da Essência captou a onda de fúria de Nati, e ele soube que ela estava lutando por ele.
Com um esfor?o sobre-humano, Zack se levantou. A Black Moon voou para sua m?o, e a lamina negra pulsou com uma luz ainda mais intensa. A dor ainda estava lá, dobrando a cada segundo, mas Zack a ignorou. Ele estava focado em Blackmouth. Ele estava focado em proteger seus aliados. Ele estava focado em vencer. Ele ativou seu Estado - Imperador do Trov?o, e o céu acima deles, já tingido de carmesim, pareceu responder, nuvens escuras se formando rapidamente.
— Seu jogo acabou, a?ougueiro — Zack disse, sua voz fria e mortal. — Agora, o jogo é meu.
O dado dourado acima de suas cabe?as girou novamente, e o número 10 brilhou. O dano de Zack havia atingido seu limite. Ele tinha cinco minutos antes que Blackmouth pudesse rejogar o dado. Ele precisava acabar com isso agora. Ele invocou: — TéCNICA NíVEL 1 – EL THOR!
Um gigantesco relampago negro rasgou os céus, atingindo a Black Moon e canalizando uma energia avassaladora para Zack. Ele avan?ou, a Black Moon cortando o ar em um arco mortal. Blackmouth riu, desferindo um Soco Negro com for?a total. Os dois se chocaram em uma explos?o de energia, e o campo de batalha tremeu. A luta estava longe de terminar, mas Zack havia encontrado sua determina??o. Ele n?o era apenas um ca?ador, ele era um rei, e ele n?o permitiria que ninguém machucasse sua família.
Fim do Capítulo 36

